Ah o primeiro dia. Um misto de euforia, medo, ansiedade, tudo junto e misturado enquanto acessamos os portões principais da faculdade.
O prédio do Curso de Direito é belíssimo. No topo do terreno imenso do Grupo Anchieta.
Sigo para o estacionamento ao lado e o senhor que orienta os alunos, tem pena quando digo ser meu primeiro dia e permite uma vaga a mais no bolsão ao lado do prédio de cima. Aquele no topo.
Agradeço, manobro e desço do carro rumo à sala 08, turma do primeiro ano, primeiro
semestre e primeiro tudo.
Deslizo pelos corredores à procura da sala, mas não sem dar uma bela espiada nas que estão com suas portas escancaradas.
Ao final do corredor, em frente à sala 08, descubro que aquele belo e imponente prédio é para alunos do segundo ano em diante. Na Secretaria, sou orientada a descer 3 lances magnânimos de escadas, mais duas grandes rampas para enfim chegar à minha sala.
Primeira aula. Sento-me ao fundo, mesmo porque a turma já cursa desde fevereiro e a retardatária aqui não sabe se eles já têm local dileto.
Míope como Mister Magoo, baixinha e surda como uma tartaruga, tento prestar atenção à aula e copiar todo o conteúdo da lousa desviando das cabeças dos colegas e tentando ignorar os assuntos paralelos.
Sucesso.
A disciplina é Interpretação e Aplicação das Normas Jurídicas.
Pescoço os cadernos e livros que os colegas manipulam e eis que um anjo, Bruna, se prontifica a me emprestar suas anotações para que, em tempo record eu as copie e estude, pois na segunda-feira tem prova desta disciplina.
Lá se vai meu final de semana. Espero que as crianças entendam.
A aula termina, mas fico acreditando que é apenas intervalo e ali sento, do lado de fora da sala trancada, e começo a copiar infinitos textos e termos que terei de recorrer ao velho e bom Aurélio.
Eis que às 22h30, achando estranho ninguém voltar, pergunto a uma funcionária se as aulas acabaram e esta me informa sorrindo que sim, e há algum tempo, pois o prédio fecha às 23h.
Engulo em seco, guardo minhas coisas e subo tudo de volta, as duas imensas rampas e os 3 lances magnânimos de escada tudo em cima de meus saltos agulha nº 15, claro.
Esbaforida e cospindo meus pulmões de fumante, ligo o carro, que obviamente é o único estacionado no bolsão na vaga torta e gentilmente providenciada pelo 'tiozinho' e volto para casa, não sem antes esperar cerca de 15 minutos para acessar a rodovia pelas 55mil peruas escolares que manobram no horário.
No meu tempo de faculdade, lá nos idos de 92/95, as aulas eram 5 e não 3 como hoje. Lembro-me que deixava o prédio da Faculdade no Morumbi em SP para pegar o último Ônibus para casa em uma avenida horrorosa e perigosa quase às 0h.
Ao final do primeiro dia, animada e ansiosa como um jóquei esperando a largada, descanso para começar tudo de novo amanhã.

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