quinta-feira, 10 de abril de 2014

Prova (de fogo)

Até minha segunda reprovação escolar (é a primeira não conta porque eu estava um ano adiantada) não estudava.
Era da turma do fundão, bagunceira e a coitada da minha mãe era chamada semanalmente pela Coordenadora, pela Diretora e todas as 'oras' disponíveis para ouvir por horas reclamações sobre minha pessoa.
O gosto pelo estudo veio enfim, quando não me restavam mais alternativas. Meu pai, sábio homem, disse claramente: 'é sua última chance. daqui, será o supletivo'. Parece-me que a 'ficha caiu' naquele instante.
Colégio Objetivo, unidade da Av Paulista, 900. Pela segunda vez, o segundo ano colegial. A ênfase era Biológicas, tendo em vista que almejava a Medicina Veterinária desde criança.
Ali, junto a professores fantásticos, comecei a dar valor ao estudo e realmente me empenhar. É fato que detinha notas medíocres, pois, apesar do esforço hercúleo, havia perdido precioso conteúdo na base ginasial.
Concluído o ensino médio, desisto da Medicina e parto para o Jornalismo, mas a vida tem surpresas.
Encanto-me com Relações Públicas e durante meus quatro anos de Faculdade, trabalhando todo o dia e estudando à noite, me formei com louvor e média 9,5, sendo meu TCC elogiado pela banca formada por membros do Conselho Regional de Relações Públicas e pela ABRP - Associação Brasileira de Relações Públicas.
Anos passam, mas a vontade de continuar estudando não morre. Lá vou eu para a pós. Marketing é escolhido por necessidades profissionais e, mais uma vez, tive o privilégio de aprender e reciclar meus conhecimentos com grandes mestres, onde cito especialmente Marcelo Peruzzo, simplesmente um gênio.
Novamente com louros e medalhas, concluo a pós.
Passam-se os anos e querer estudar continua latente. Busco uma alma caridosa que entenda minha linha de pesquisa e decida adotá-la: "Comunicação, informação e contra-informação em períodos de guerra". A encontro em Porto Alegre, na Federal, porém, impossível assumir tamanha distância, arquivo minhas ideias e pesquisas. Quem sabe um dia...
Então meu 'Grilo Falante" que mais parece a fofoqueira do bairro insiste para que me lance em novo curso, mas, de tudo o que vi e pesquisei, o Direito chamava muito forte.
Tive um ano de Direito na Faculdade de RP. Ainda tenho o caderno, embora não me recorde o nome da professora, mas era incrível e detentora de um conhecimento ímpar.
Ingresso no curso com um mês ou mais de defasagem e assistindo a apenas uma aula em cada disciplina, faço duas provas. A primeira, sem comentários, ou melhor, com comentários no post anterior.
A segunda prova, Ciências Políticas, deixou-me insone por sete longos dias.
A sensação que tenho é que já devo ingressar naquela fase da vida onde começamos a desenvolver perda de memória gradativa. Não é possível.
De TODO o conteúdo dado, tudo estudei. Fiz sem exageros, oito resumos, pesquisas sem fim, assisti aulas online, tirei dúvidas com os colegas, participei do grupo de estudos e por 4h na Biblioteca da Faculdade no sábado estudamos.
Todas as horas, minutos e segundos eram aproveitados, se não escrevendo, lendo ou ouvindo a matéria que gravei no celular para os trajetos 'mãetorista' e 'mãepresária' do dia.
Os textos medíocres que escrevi na prova de ontem serão motivo de gargalhada pelo Mestre Paulo, mas, pensando pelo lado positivo, deixarei alguém feliz.
Provocarei risadas sem fim e, provavelmente terei nova oportunidade de assistir as aulas desta disciplina quando a DP, que certamente virá, se apresentar como velha e boa amiga.
É, digo aos meus filhos, que são excelentes alunos, que o momento é agora.
Mas, como otimista insana, não desanimo não, afinal, terei mais uma chance na prova do final de semestre. Até lá, tudo pode mudar e a velha amiga DP, pode até ficar meio tímida em vir se apresentar.
Continuemos, pois ainda tenho as benditas outras provas para estudar, trabalho para fazer e 30h extras para cumprir. \0/


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